segunda-feira, 18 de abril de 2016

Cuspir na Cara Nunca Será Tão Poderoso Quanto Dar a Outra Face


Numa noite em que Eduardo Cunha - PMDB - pediu a misericórdia de Deus ao Brasil, e em que a deputada Raquel Muniz - PSD - ofertou seu voto contra a corrupção ao seu esposo preso pela Polícia Federal nesta manhã, ironicamente, por corrupção; coube ao deputado federal Jean Wyllys  - PSOL - um dos episódios mais caricatos da votação do impeachment, ao cuspir na cara do deputado Jair Bolsonaro - Militar Cristão.


Que o Bolsonaro é digno de asco, não pairam dúvidas, sobretudo junto à comunidade GLBTT - da qual eu faço parte - haja visto a sua militância recalcada de laivo bestialmente homofóbico, mas dito isto, me pergunto se à posteridade - não a imediata, mas aquela que se inscreverá nos livros de história - valerá a pena de regurgitar sobre o "inimigo" o salivoso fel.



Retrocedendo uns dois mil e poucos anos, portanto num mundo menos civilizado que o nosso hoje, um pensador nascido à Galiléia propunha uma reforma aos costumes conflagrados de então, sua síntese filosófica refletia de forma lógica que a violência tinha um poder de atração magnético, e assim sendo, impingi-la teria como efeito físico natural, uma reação de igual ou maior monta, deixando-nos com o impasse ético: como deter a escalada da violência se, ao perpetrá-la, seríamos sempre alvo ao turno do outro?


Foi então que o Pensador da Galiléia formulou uma das teses mais radicais de pacificação que se tem notícia desde então: quando um inimigo lhe bater à face, ofereça-lhe a outra. Sabemos de resto que por essas e outras ideias polêmicas à época, o Sinédrio - espécie de Câmara de Deputados Teocrática - encaminhou Nazarēnus ao julgamento de Pôncio Pilatos - prefeito da Judéia - sob a esquizofrênica acusação de "proclamar-se rei", sendo sentenciado à crucificação.

Radicalidade análoga e tão arriscada, ousaria recordar, à da presidenta de um país ao sul do Equador que propôs uma investigação geral e irrestrita contra a corrupção, e honesta, viu-se apeada do cargo justamente por aqueles que eram investigados.

A história dessa mulher ainda não está toda contada, e portanto não sabemos ainda qual será sua atitude se confirmado o seu impedimento, entretanto, inscrito já está nos autos futuros o escarro de Jean Wyllys em Bolsonaro, e aplicando-se as teses do Radical Galileu só podemos chegar a uma única conclusão lógica: cuspir na cara nunca será tão poderoso quanto dar a outra face; e tampouco coloca fim a escalada de violência que hora presenciamos.

Bom que se diga por fim, que o deputado Jean Wyllys é um aliado das boas práticas parlamentares. Sua atuação política e ética e militâncias merecem crédito e total deferência. Entretanto, sempre me chamou particular atenção seu gosto por uma midiatização narcísica da sua participação na vida política e social do país ao que depreendo que, no episódio específico envolvendo o deputado militar, Jean Wyllys não passou de um Big Brother.
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